- /
- Blog
- / Um cavalo chamado Bob: a trajetória de um Quarto de Milha que marcou uma família no rodeio
Um cavalo chamado Bob: a trajetória de um Quarto de Milha que marcou uma família no rodeio
Aos 23 anos, o cavalo Bob segue como peça central na carreira de Tom Crouse, influenciando resultados no laço em bezerro e consolidando uma história familiar dentro do rodeio norte-americano
Aos 23 anos, o cavalo Quarto de Milha conhecido como Bob, registrado como Last L Straw, construiu uma trajetória que ultrapassa resultados em pista.
O animal tornou-se protagonista na carreira do competidor de laço em bezerro Tom Crouse, que em 2025 garantiu sua primeira classificação para a Final Nacional de Rodeio Wrangler (NFR).
Mais do que um cavalo competitivo, Bob passou a representar a base de uma história construída ao longo de anos pela família Crouse no rodeio.
Mesmo com o avanço da idade, Bob mantém características marcantes. Atualmente, apresenta comportamento mais reservado, prefere permanecer em casa e demonstra menor apetite durante viagens.
Ainda assim, segue sendo decisivo em momentos importantes, característica que o acompanhou durante toda a carreira.
Tom Crouse, competidor da Professional Rodeo Cowboys Association (PRCA), iniciou sua trajetória no laço ao lado de Bob ainda na infância.
A proximidade entre os dois é refletida na idade: Tom é apenas nove meses mais velho que o cavalo.
“Tecnicamente, fui eu quem levou o Bob ao seu primeiro jackpot… Eu tinha 8 anos”, diz Tom.
“Peguei os três bezerros, e naquela época, isso era uma grande coisa. Eu não sou uma pessoa muito confiante, mas aquele cavalo me deu muita confiança.”
Resultados e evolução no laço em bezerro
A parceria entre cavalo e competidor resultou em conquistas ao longo dos anos.
Entre os principais resultados estão a vitória no torneio de laço aberto de Joe Beaver, títulos estaduais do ensino médio no Missouri.
O título do Junior American em 2019 e conquistas nas Finais do Circuito dos Grandes Lagos em 2020.
Na temporada de 2025, Tom ampliou sua presença em competições de alto nível, com destaque para a vitória no Cinch Roping Fiesta.
O desempenho consistente ao longo do ano garantiu sua classificação para o NFR, principal competição do rodeio mundial.
Durante o Calgary Stampede, um dos rodeios mais tradicionais do circuito, Tom registrou o melhor tempo de sua carreira: 6,80 segundos.
Resultado que lhe garantiu a segunda colocação e um prêmio de US$ 32.500.
“No ano passado, em Calgary, eu estava competindo contra caras como Shad [Mayfield] e sentindo que poderia ser mais rápido”, diz Tom.
O impacto de Bob no desempenho do competidor é reconhecido pela própria família.
“Provavelmente 95% disso”, afirma Gene Crouse, pai de Tom, ao comentar sobre a influência do cavalo.
“É como calçar um par de luvas velhas, você sabe exatamente como vai ser a sensação”, acrescenta Gene. “Tom não precisava se preocupar com nada além de laçar.”
Um cavalo para toda a família
Ao longo dos anos, Bob não foi utilizado apenas por Tom. O animal teve papel importante na trajetória de outros membros da família Crouse.
Kirbie, irmã de Tom, competiu com o cavalo durante toda a faculdade e conquistou o título do College National Finals Rodeo em 2016.
“Kirbie o levou para as finais universitárias em Casper e o montou durante os quatro anos”, diz Gene.
“No primeiro ano da faculdade, ela chegou à fase final, e Tom estava nas finais do ensino fundamental em Des Moines, Iowa”.
“Assim que a fase final terminou, eles colocaram Bob no trailer e dirigiram a noite toda para que Tom pudesse montá-lo lá. Ele acabou vencendo a rodada.”
Além dos filhos, os pais também utilizaram o cavalo em competições. Gene conquistou títulos em categorias acima de 40 anos, enquanto Carrie, mãe de Tom, venceu campeonatos regionais.
“Hoje em dia eu brinco dizendo que Bob fazia Tom parecer bom; agora, Tom faz Bob parecer bom”, diz Karie. “Ele foi um cavalo único, com certeza.”
Lesão antes do NFR e adaptação
Após garantir a classificação para o NFR 2025, Bob apresentou um problema físico poucos dias antes da viagem para Las Vegas.
“Ele tem uma distensão no tendão flexor digital profundo”, diz Aaron Brisbane, veterinário responsável pelo cavalo.
Segundo o profissional, o animal possui características diferenciadas.
“Acho que é simplesmente a constituição do cavalo — ele se esforça mais do que a maioria”, diz Brisbane.
Sem Bob, Tom precisou adaptar sua estratégia durante a competição, utilizando cavalos emprestados.
Mesmo assim, teve desempenho consistente, com terceiro lugar na primeira rodada e premiações em outras três.
“Foi desanimador que Bob não tenha podido ir”, diz Karie. “Mas o importante é superar os problemas, e foi isso que Tom fez. Não poderíamos estar mais orgulhosos dele.”
Ao final da temporada, Tom encerrou o ano na 11ª posição do ranking mundial, com ganhos superiores a US$ 213 mil.
Origem e legado de Bob
Bob chegou à família por meio de uma negociação com a criadora Cheryl White, no Nebraska.
Inicialmente chamado de Bob White, em referência à codorna-da-virgínia, o cavalo passou a ser chamado de “Robert White” de forma informal ao longo dos anos.
“Todo mundo na nossa família o montava… Ele não se comportava de forma diferente para nenhum de nós”, diz Gene.
O impacto do cavalo vai além dos resultados esportivos.
“Isso foi a realização de um sonho para mim”, diz Tom.
“As pessoas de onde eu venho, no Missouri, não conseguem chegar lá, e eu tenho que dar muito crédito ao Bob. Ele esteve presente em cada etapa do processo.”
Retorno previsto ao circuito
A expectativa da família é que Bob retorne às competições após completar 24 anos, com possível participação no Calgary Stampede de 2026. A recuperação da lesão será determinante para a retomada.
Quando questionados sobre o que diriam ao cavalo, caso ele pudesse compreender, a resposta foi unânime: “Obrigado”.
“Se pudéssemos tê-lo em casa, ele teria um lugar à mesa”, acrescenta Gene. “Ele faz parte da nossa família.”
Fonte: Revista Western Horseman
Foto: Freepik







