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Relincho de cavalos combina assobio e vibração vocal, aponta estudo científico

Pesquisa publicada na Current Biology analisa a laringe de cavalos e explica como o relincho reúne dois tipos de som ao mesmo tempo

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Um estudo publicado na revista científica Current Biology investigou como os cavalos produzem seus relinchos e concluiu que o som resulta da combinação simultânea de dois mecanismos distintos: vibração das pregas vocais e passagem forçada de ar pela laringe.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, que analisaram a mecânica da laringe — órgão do sistema respiratório responsável pela produção de sons.

Segundo os autores, embora os cavalos convivam com humanos há mais de quatro mil anos, ainda há lacunas no conhecimento científico sobre a vocalização desses animais.

De modo geral, animais de grande porte possuem laringes e cordas vocais maiores, que vibram mais lentamente e produzem sons graves. No entanto, os cavalos emitem relinchos agudos, destoando dessa tendência.

Como o estudo foi realizado

Após contato com Sabrina Briefer Freymond, etóloga equina da Agroscope, a equipe organizou testes com dez cavalos do Haras Nacional Suíço para observar como os dois tons do relincho eram produzidos.

Os pesquisadores utilizaram um endoscópio para registrar imagens internas da laringe durante a vocalização.

Nos sons graves, as pregas vocais vibravam de maneira semelhante ao que ocorre na fala ou no canto humano. Já nos sons agudos, não havia vibração dessas estruturas.

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Para aprofundar a análise, foram realizados experimentos em laboratório com laringes dissecadas de cavalos mortos.

Ao conectar o órgão a um fluxo de ar, os cientistas verificaram que o som agudo não era resultado da vibração das pregas vocais, mas da passagem de ar pela laringe, produzindo um efeito semelhante ao de um assobio — como se o órgão funcionasse como um apito natural.

Testes com hélio confirmaram hipótese

A equipe também substituiu o ar comprimido por hélio nos experimentos.

“Quando sopramos hélio pelas laringes pela primeira vez, a mudança de frequência foi notória, e soubemos que tínhamos resolvido o mistério”, diz o autor William Tecumseh Fitch, da Universidade de Viena em comunicado.

De acordo com os pesquisadores, o som se propaga mais rapidamente no hélio do que no ar comum.

Assim, quando um som é produzido como assobio, sua frequência se altera com a troca do gás.

Já os sons gerados pela vibração das pregas vocais não sofrem alteração, pois dependem das características físicas do tecido e não do meio ao redor.

Embora esse tipo de vocalização já tenha sido observado em roedores, esta é a primeira vez que o mecanismo é identificado em um animal de grande porte.

Os autores afirmam que as descobertas ajudam a explicar como os dois tons do relincho ocorrem simultaneamente e sugerem que essa característica pode ter evoluído para permitir a transmissão de múltiplas informações entre os cavalos, inclusive em longas distâncias.

Fonte: Revista Galileu
Foto:Freepik

Gil Silva

Gil Silva é jornalista especializada na cobertura da raça Quarto de Milha, com seis anos de atuação em provas oficiais, eventos técnicos e competições das principais modalidades. Ao longo da carreira, acompanhou campeonatos, leilões e iniciativas do setor, produzindo reportagens, entrevistas e conteúdos informativos voltados a criadores, competidores e profissionais da área.

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