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Números do Quarto de Milha: um panorama da raça por estados e regiões

O Brasil é hoje o segundo maior criador de Quarto de Milha do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos — e o maior plantel da raça fora do território americano.

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Mas o que esses números realmente significam na prática? Quantos animais existem em cada estado? Onde a raça é mais forte, e por quê?

Neste artigo, reunimos os números oficiais do Quarto de Milha no Brasil, região por região e estado por estado, com o contexto histórico que explica por que a raça se distribuiu do jeito que se distribuiu pelo país.

Esta página funciona como referência: os números aqui vêm diretamente da base pública da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM) e serão atualizados periodicamente.

Se você está entrando agora no mercado do Quarto de Milha — como criador, comprador ou investidor — este panorama ajuda a entender onde estão os animais, onde está o dinheiro, e por que essas duas coisas nem sempre coincidem.

Quantos Quarto de Milha Existem no Brasil?

A ABQM mantém o Serviço de Registro Genealógico do Cavalo Quarto de Milha (SRGCQM) por delegação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o que torna seus números a referência oficial da raça no país.

Segundo o painel público “Números do QM”, da própria ABQM, o Brasil conta atualmente com:

Proprietários registrados 147.877
Criadores registrados 57.839
Associados à ABQM 54.516
Animais puros vivos 265.025
Animais mestiços vivos 78.592
Total de animais vivos 343.617

Números atualizados em: 17 de julho de 2026, com base nos dados públicos divulgados pela ABQM.

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Como o Stud Book é atualizado diariamente com novos registros, esses valores tendem a crescer com o tempo — é normal encontrar pequenas variações entre esta página e a consulta em tempo real no site da ABQM.

Para colocar esse número em perspectiva: o Quarto de Milha é hoje a raça equina mais numerosa do Brasil, à frente de raças tradicionais como o Crioulo e o Mangalarga Marchador.

É também a base de esportes que movimentam milhões de pessoas todos os anos, das provas de rédeas do Sudeste à vaquejada do Nordeste.

Números do Quarto de Milha por Região

A distribuição da raça pelo Brasil não é uniforme, e entender essa distribuição ajuda a explicar boa parte da dinâmica do mercado. A tabela abaixo mostra o panorama por região:

Região Animais Puros Vivos Animais Mestiços Vivos Total de Animais Vivos Criadores Associados
Sudeste 138.351 26.314 164.665 26.472 25.520
Nordeste 83.490 36.739 120.229 21.134 19.188
Sul 34.977 12.580 47.557 8.624 7.118
Norte 8.207 2.959 11.166 1.609 2.690

A região Centro-Oeste não constava separadamente no recorte de dados consultado; seus números estão refletidos nos totais individuais de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal na tabela por estado, logo abaixo.

Sudeste: o berço da raça no Brasil

Não é surpresa que o Sudeste lidere o plantel nacional — foi ali que tudo começou.

Em fevereiro de 1954, a Swift-King Ranch trouxe os primeiros Quarto de Milha ao Brasil, desembarcando na região oeste de São Paulo.

Quinze anos depois, em 1969, a ABQM foi fundada no Parque da Água Branca, na capital paulista.

Desde então, São Paulo nunca deixou de ser o epicentro da raça no país — hoje concentra o maior plantel individual de qualquer estado brasileiro, além de sediar o Jockey Club de Sorocaba, principal centro de corridas de Quarto de Milha da América Latina, e os grandes eventos oficiais de conformação e trabalho em Araçatuba.

Curiosidade: o garanhão Caracolito, trazido para substituir o pioneiro Saltillo Jr, recebeu o registro de número 1 da ABQM em 1970 — e é considerado, até hoje, “a semente do plantel brasileiro”.

Toda a genealogia que se espalhou pelo país carrega, em algum grau, esse ponto de partida paulista.

Nordeste: a força da vaquejada

O Nordeste é a segunda região com maior plantel do país, e sua relação com o Quarto de Milha tem uma marca registrada: a vaquejada.

A modalidade — reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil — foi oficializada como campeonato nacional pela primeira vez em 2003, em Bezerros (PE), em parceria entre a ABQM e a então recém-formada ABQM-Nordeste. Hoje, estados como Bahia, Pernambuco,

Paraíba e Rio Grande do Norte formam um dos polos mais ativos da raça no país, tanto em número de animais quanto em movimentação econômica.

Curiosidade: a cidade de Lagarto, em Sergipe, é conhecida informalmente como a “Capital Nacional da Vaquejada” — um título que reflete a força da modalidade na identidade cultural da região, muito além do esporte em si.

Sul: a origem do laço comprido

O Sul do Brasil tem uma contribuição própria e pouco lembrada para a história do Quarto de Milha: o Laço Comprido, modalidade genuinamente brasileira e sem equivalente direto nos Estados Unidos, nasceu no Rio Grande do Sul, na região de Esmeralda, ainda na década de 1950.

De lá, a prática se espalhou para o Centro-Oeste, especialmente o Mato Grosso do Sul, onde hoje se concentra o principal circuito nacional da modalidade.

Curiosidade: apesar de ter dado origem ao Laço Comprido, o Rio Grande do Sul hoje é superado em tradição na modalidade por Mato Grosso do Sul — um exemplo de como uma prática pode nascer em um lugar e se consolidar culturalmente em outro.

Centro-Oeste: onde está o dinheiro

Ainda que não lidere em número de animais, o Centro-Oeste — sobretudo Goiás — se tornou nos últimos anos o polo de maior valor financeiro por animal do país.

É lá que se concentram os leilões de elite de rédeas, com genética de ponta importada dos Estados Unidos e cifras que já romperam a casa dos R$ 200 milhões em uma única edição.

Mato Grosso do Sul, por sua vez, além de forte no Laço Comprido, também tem presença relevante em apartação e trabalho.

Curiosidade: a distribuição do dinheiro no mercado do Quarto de Milha brasileiro não segue a distribuição do plantel.

São Paulo tem mais cavalos; Goiás, em determinados segmentos, movimenta mais dinheiro por animal.

Essa assimetria é um dos aspectos mais interessantes — e menos óbvios — do mercado da raça no Brasil.

Norte: a fronteira da expansão

O Norte é, de longe, a região com menor presença do Quarto de Milha no país — reflexo tanto da geografia (menor tradição histórica de pecuária de corte e de esportes equestres na região) quanto da distância dos grandes polos genéticos e comerciais da raça.

Ainda assim, estados como Amazonas e Pará vêm registrando crescimento gradual, à medida que a raça se populariza para além dos seus berços tradicionais.

Quarto de Milha: números da raça

Números do Quarto de Milha no Brasil

Números do Quarto de Milha por Estado

Para quem quer o detalhe completo, esta tabela traz o número de animais vivos, criadores e associados em cada um dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, organizados em ordem alfabética.

Estado Animais Puros Vivos Animais Mestiços Vivos Total de Animais Vivos Criadores Associados
Acre 706 427 1.133 147 166
Alagoas 7.114 2.111 9.225 1.305 1.540
Amapá 28 4 32 21 25
Amazonas 156 14 170 37 105
Bahia 13.605 6.710 20.315 3.560 3.423
Ceará 8.128 4.648 12.776 2.568 2.232
Distrito Federal 2.400 425 2.825 430 601
Espírito Santo 2.705 1.122 3.827 653 745
Goiás 16.074 3.411 19.485 2.695 2.828
Maranhão 3.499 1.099 4.598 571 1.124
Mato Grosso 9.003 2.282 11.285 1.466 2.217
Mato Grosso do Sul 16.311 3.770 20.081 2.156 2.427
Minas Gerais 21.213 5.632 26.845 3.788 4.987
Pará 2.346 696 3.042 466 968
Paraíba 14.533 6.074 20.607 3.353 2.355
Paraná 23.196 6.604 29.800 5.513 4.687
Pernambuco 17.972 5.701 23.673 3.951 3.822
Piauí 984 784 1.768 522 603
Rio de Janeiro 9.660 3.079 12.739 2.097 2.071
Rio Grande do Norte 8.602 6.040 14.642 3.309 2.403
Rio Grande do Sul 7.865 4.691 12.556 2.284 1.456
Rondônia 3.636 1.096 4.732 594 807
Roraima 35 21 56 18 78
Santa Catarina 3.916 1.285 5.201 827 975
São Paulo 104.773 16.481 121.254 19.934 17.717
Sergipe 9.053 3.572 12.625 1.995 1.686
Tocantins 1.300 701 2.001 326 541

São Paulo se destaca com folga: sozinho, o estado responde por mais de um terço de todo o plantel vivo registrado no Brasil.

Em seguida vêm Minas Gerais, Paraná e Pernambuco, cada um com sua própria vocação dentro da raça — trabalho e conformação em Minas e no Paraná, vaquejada e provas de laço em Pernambuco.

Por Que Esses Números Importam

Entender a distribuição geográfica do Quarto de Milha no Brasil não é apenas curiosidade estatística.

Para quem cria, compra ou vende animais da raça, esses números ajudam a responder perguntas práticas: onde encontrar mais opções de determinada linhagem, onde a concorrência entre criadores é mais acirrada, e onde o mercado ainda tem espaço para crescer.

Como vimos com o Centro-Oeste, nem sempre o estado com mais cavalos é o estado com mais dinheiro circulando — e essa é apenas uma das nuances que separam quem entende o mercado do Quarto de Milha de quem está apenas olhando de fora.

Este panorama numérico é parte de uma cobertura mais ampla sobre a raça no Brasil, incluindo sua história, suas linhagens, suas modalidades esportivas e a dinâmica comercial que move esse setor.

Continue explorando o conteúdo do Mercado Quarto de Milha para aprofundar cada um desses temas.

Rodrigo Melo

Criador e entusiasta da raça Quarto de Milha. Por volta dos meus seis anos ganhei meu primeiro cavalo e nunca mais consegui viver distante desses magníficos animais que tantas coisas boas nos proporcionam nessa vida, como amizades, realizações, momentos de alegria e muitas histórias pra contar. E aqui pretendo compartilhar algumas delas.

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